Bater a Argentina completa, jogando à vera, dentro de Mar del Plata, com quase dez mil pessoas apoiando. Esse foi o cenário da vitória maiúscula e histórica do Brasil por 73 a 71 sobre a “geração dourada” do basquete argentino nesta quarta-feira. E muito mais do que deixar a seleção brasileira com a chance de ir à semifinal do Pré-Olímpico com a melhor campanha do torneio, esse triunfo deu ao Brasil a chance de reaprender a decidir e ganhar jogos.
Nos últimos dois ciclos olímpicos, o basquete brasileiro esteve impotente diante de vários adversários muitas vezes. Mas em outras oportunidades viveu a síndrome do “jogamos como nunca e perdemos como sempre”. E não era coincidência ou azar. A falta de preparo levava a decisões erradas nos momentos-chave e às derrotas. O Brasil não sabia decidir e, consequentemente, perdia.
Os cinco minutos finais da partida desta quarta indicaram uma situação diferente. Mesmo com a Argentina cortando a diferença o Brasil foi perfeito em suas decisões: não precipitou arremesso, não teve nenhum “herói” forçado e não permitiu que a empolgação tomasse conta. Esse aprendizado, que gera cicatrizes importantíssimas em jogadores vitais para o presente e, principalmente, para o futuro, é o maior motivo de felicidade com essa vitória.
Huertas foi excelente no ritmo e nas infiltrações. Os alas Marquinhos e Guilherme acertaram bolas importantíssimas. Alex se entregou para diminuir a efetividade de Ginobili, conseguiu e ainda acertou os lances livres da vitória, arremessando bolas que deveriam pesar uns 20 quilos. E Rafael Hettsheimer explodiu com uma partida para se recordar por muito tempo, simplesmente encarando sem medo (e levando a melhor, nos dois garrafões!) um dos melhores jogadores do mundo, Luís Scola. E seria um crime não citar Rubem Magnano entre os personagens dessa vitória. A tara pela entrega defensiva e o equilíbrio ofensivo do argentino fizeram a diferença.
Falando no argentino, ele foi perfeito na entrevista ao dizer que essa é uma vitória cujo o valor será ampliado se no sábado o Brasil cumprir o que veio fazer em Mar del Plata: garantir uma vaga na Olimpíada de Londres. Essa é a missão. E tem que ser o foco.
EQUILÍBRIO
Tenho muito medo dos extremos. Para o bem e para o mal. Vencer a Argentina nesta quarta-feira não resolve os problemas do basquete brasileiro. Foi, repito, algo maiúsculo, mas não transforma o Brasil em uma superpotência capaz de vencer qualquer um na hora que quiser. Mas ao mesmo tempo ver brasileiros diminuírem o tamanho desse triunfo é patético. Vejo um exagero preocupante nas duas posturas.
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