quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um prejuízo chamado Valdivia


llO Palmeiras conta no seu elenco com um dos jogadores mais caros do futebol brasileiro, não me refiro a Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Rogério Ceni, ou Neymar, jogadores que tem uma história importante de conquistas no cenário futebolístico. Por incrível que pareça esse jogador é o chileno Valdivia.
No início da história de Valdivia com o Palmeiras, o clube fez o correto. Apostou no atleta que veio do futebol chileno, colocou na vitrine, Valdivia foi importante na conquista do título do campeonato Paulista de 2008 e vendeu o jogador faturando em cima.
Mas o presidente Belluzo, no alto do desespero com a falta de títulos teve a infeliz ideia de repatriar Valdivia, por um preço absurdo. Na ocasião, o clube não tinha como arcar com essa contratação, aliás, a situação econômica era ruim, então o presidente recorreu ao auxilio do conselheiro Osório Furlan, para viabilizar o negócio. 
Após período de conversas os direitos econômicos de Valdivia, ficaram divididos da seguinte forma, 54% do Palmeiras, 36% do investidor Osório Furlan e 10% pertencentes ao próprio chileno. Porém, quando recebeu o dinheiro do investidor, o Palmeiras não usou a verba para comprar Valdivia, e sim para quitar direitos de imagem de alguns jogadores que na época estavam em atraso.
Por isso, o presidente Beluzo recorreu ao Banco Banif, há dois anos, o Al Ain recebeu no negócio 6,5 milhões de euros depositados pelo Banif. Valdívia ganharia entre luvas e salários a astronômica quantia de 8 milhões de euros por cinco anos de contrato.
O Palmeiras recebeu uma carta de crédito do banco Banif com prazo de um ano para quitação. A data estipulada  venceu e como todos imaginavam o clube não tinha recursos para arcar com o valor. 
Após meses de negociação, o Banif parcelou a dívida em 48 prestações, o valor total incluindo juros por conta do parcelamento atingiu a casa dos 30 milhões de reais. Somando o que Valdivia, já recebeu de luvas e salários e o que foi comprometido pelo clube com o banco, Valdivia está custando ao Palmeiras 40 milhões de reais.
Será que Valdivia vale mesmo tudo isso? O custo beneficio até agora foi compensador? Nem o palmeirense mais fanático diz hoje que valeu a pena. O Palmeiras errou em repatriar Valdivia, por essa quantia absurda.
Há 15 dias o Palmeiras foi procurado por representante de um clube do Catar oferecendo 4,5 milhões de euros pelos 100% dos direitos econômicos de Valdivia, o chileno chegou a acertar luvas e salário com o clube, o Palmeiras se interessou muito pelo negócio, apesar do discurso oficial ser diferente, internamente a meta era recuperar um pouco do dinheiro investido nesse negócio maluco chamado Valdivia, mas teve uma pedra no meio do caminho que melou toda a transação.
Osório Furlan, que detém 36% dos direitos econômicos de Valdivia, vetou a negociação alegando que o valor seria baixo e que só autorizaria a venda do jogador por no mínimo 6 milhões de euros. Desta forma, o Palmeiras não teve alternativa, recusando a proposta, permanecendo com Valdivia, contrariando a vontade do jogador que neste momento era de deixar o clube.
Entendo que o Palmeiras perdeu uma ótima oportunidade de negociar Valdivia, mas Osório Furlan, que vetou o negócio também não pode ser crucificado, já que investiu muito dinheiro na época e não quis perder. 
Fica mais uma vez a lição para os dirigentes do Palmeiras, o clube precisa ser administrado com responsabilidade, deixando assim a paixão de lado, o futebol atual não permite mais loucuras apaixonadas, a razão tem que vir sempre em primeiro lugar.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Resgate do orgulho Palmeirense


llO título da Copa do Brasil 2012 representa para o Palmeiras muito mais do que um troféu para a galeria do clube. Muito mais do que uma vaga na Copa Libertadores do ano que vem. Representa o retorno da autoestima do palmeirense. O retorno da grandeza, da moral, da dignidade. O Verdão, enorme e glorioso em sua história, não pode ficar treze anos sem uma conquista importante.
Mas não é porque foi campeão que o atual time palestrino é o melhor do mundo. Pelo contrário. A equipe do técnico Luis Felipe Scolari é limitadíssima. E é aí que a conquista ganha mais dramaticidade, mais emoção para o torcedor.
O atacante Betinho, por exemplo, fez um contrato de risco com o Palmeiras: apenas três meses para mostrar se tem condição de jogar em um time grande. E foi justo ele, que era visto com desconfiança pela própria diretoria que o contratou, que acabou fazendo o gol do título e sofreu o pênalti para o gol de Valdívia no primeiro confronto.
No gol, Bruno e Deola não são excepcionais. Mas são palmeirenses de corpo e alma. A defesa, com Thiago Heleno, Maurício Ramos e Leandro Amaro, esbanja raça e vontade. Marcos Assunção se emocionou como um juvenil com a conquista. Valdívia superou problemas particulares para ser campeão. 
E Felipão venceu as dificuldades, internas e externas, no peito. Quando deixou de lado as desavenças com dirigentes e se focou exclusivamente no time os resultados apareceram. O treinador sempre foi o mais palmeirense de todos ao manter sua palavra e permanecer no Palmeiras, mesmo com propostas de outros clubes para ganhar mais e ter mais estrutura de trabalho.
Que o título da Copa do Brasil seja o primeiro passo para o Verdão reconquistar seu lugar de destaque no futebol brasileiro. O clube precisa se organizar, se unir mais. O planejamento para a Libertadores 2013 já começa agora. Quem será o treinador no ano que vem? O presidente que assumir em janeiro vai dar prosseguimento ao trabalho feito agora ou vai mudar tudo? As próximas atitudes mostrarão se a comemorada conquista de 11 de julho foi apenas um acaso.
Além da taça, da vaga na Libertadores e da comemoração, essa Copa do Brasil dá ao Palmeiras a sensação de que é possível o time ficar “blindado” à fábrica de crises que se transformou o Palestra Itália desde a saída da Parmalat. 
Desde a década passada é assim: as crises do Verdão  são criadas dentro do próprio clube. E esse burburinho, invariavelmente, atingia o futebol. Neste título isso não aconteceu (grande mérito de César Sampaio como diretor). O time, sem dúvida limitado, conseguiu ficar alheio a essa turbulência e foi constante durante a competição. Acharam o segredo. Conseguirão manter?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Felipão barrado no São Paulo!


llApós a saída do professor Muricy Ramalho, por pressão política a diretoria do São Paulo resolveu apostar em nomes normais, como Sergio Baresi, Paulo Cesar Carpegiane, Adilson Batista e Emerson Leão. 
O presidente Juvenal Juvêncio, acreditava que apenas com toda a estrutura de trabalho oferecida pelo clube esses treinadores fariam o São Paulo campeão, o que dentro de campo não aconteceu.
Após modificar o elenco no início da temporada e ver mais um fracasso, novamente a diretoria fez mais do mesmo, demitiu o treinador. Mas não foi uma demissão normal para contratar outro técnico normal.
Juvenal e seus pares definiram que chegava o momento de contratar um técnico ‘medalhão’ que chegaria para fazer o time jogar e assumir algumas responsabilidades que a diretoria carregava quando optava por um treinador comum.
A primeira sondagem feita foi com Muricy Ramalho,  a pedido de Juvenal Juvêncio, o auxiliar Milton Cruz  conversou com o treinador do Peixe, perguntando se existia o interesse dele em retornar ao Morumbi. A resposta de Muricy foi que estava feliz no Santos e que ninguém perturbava o trabalho dele, tendo assim paz para treinar o Peixe. 
Sem a possibilidade de contar com Muricy, então dentro do São Paulo, grande parte das pessoas ligadas ao coronel Juvenal Juvêncio, e o próprio presidente aprovaram buscar a contratação do técnico Luiz Felipe Scolari, um treinador que se encaixaria dentro do que Juvenal esperava do novo treinador. 
No entanto, o nome de Felipão foi barrado pelo novo ‘dono do São Paulo’, o vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes, bateu o pé, chegando a afirmar internamente que se Felipão fosse contratado ele sairia pela outra porta.
João Paulo alegava que a contratação de Felipão afrontava muito o Palmeiras e não queria ficar mal com seus pares ligados ao Palestra Itália dentro do Governo do Estado. E mesmo contrariando muitos cardeais tricolores o presidente Juvenal resolveu ouvir João Paulo de Jesus Lopes. 
O nome de Felipão foi descartado e o próprio João Paulo, insistiu para que Ney Franco, fosse procurado pela diretoria. É isso mesmo, além de barrar a possível contratação de Felipão, João Paulo de Jesus Lopes teve força política para indicar o nome do novo treinador.
No meu conceito Felipão, seria o técnico ideal para dirigir o São Paulo neste momento, além ser um ótimo treinador tem a personalidade de dirigir a equipe que o Tricolor necessitava neste momento. Ney Franco não é um técnico ruim, pelo contrário já fez bons trabalhos, principalmente nas categorias de base da Seleção Brasileira. Mas é mais um treinador que chega com prazo de validade. Não é um técnico que vai suportar uma série de derrotas e não é um técnico que pode mudar a personalidade do elenco.
Dentro de campo o São Paulo não mudou em relação à saída de Emerson Leão, as duas vitórias foram enganosas. O time teve dificuldade para marcar os reservas do Coritiba dentro do Morumbi, aliás, a marcação e a pegada do São Paulo é um problema grave. Ney Franco terá muito trabalho para fazer o Tricolor funcionar e se a diretoria não atrapalhar já será um bom começo...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Incontestável Corinthians!


llDesde sempre e especialmente após as conquistas dos rivais São Paulo e Palmeiras vistas na TV na década de 90, falar em título da Libertadores para o Corinthians parecia um milagre. Mas sempre faltou perfeição nos mínimos detalhes. O clube tentava mudar o canal e virar a página, mas a gozação perseguia o Timão e seu torcedor em todos os lugares.
Isso durou até esta quarta-feira, 4 de julho, dia que marca a independência da maior nação da América, os Estados Unidos, mas que a partir de agora vai ser para sempre lembrada como a data da independência da nação corintiana na América. 
E isso só foi possível porque um homem estava lá para se preocupar com a perfeição nos mínimos detalhes: Tite. O sentido de perfeição não é de um futebol vistoso, irretocável, mas sim de um time que acreditou no seu treinador para fazer tudo rigorosamente do jeito que precisava ser feito. E assim derrubou adversários do porte de Vasco, Santos e Boca Juniors, em sequência, para ganhar um título invicto, com oito vitórias e seis empates e históricos quatro gols sofridos em 14 partidas.
Não é coincidência que o tão desejado título da Libertadores tenha sido conquistado quando deixou de ser uma fixação para o clube. Do presidente aos torcedores (em menor grau, é verdade), passando pelo técnico e jogadores, todos no clube mudaram a forma de encarar esse mito. Deixaram de ficar embevecidos com os olhos no retrato enquanto a vida passava.
Isso pôde ser percebido em 2010, quando após a melhor campanha na primeira fase o time foi eliminado pelo Flamengo nas oitavas. O plano não mudou, o técnico não caiu, a torcida não revirou o clube. No ano passado, a prova de fogo de que assombração ficou no passado: o Corinthians foi eliminado na Pré-Libertadores pelo Tolima. 
A decisão normal era demitir Tite, mandar embora todos os jogadores e mudar tudo. Andrés Sanchez, ridicularizado há alguns anos quando disse que o Corinthians ganharia a Libertadores quando começasse a disputar a competição seguidamente, exorcizou os fantasmas em seu quarto (ou no clube) ao bancar o trabalho do departamento de futebol. A vida seguiu, ajustes necessários foram feitos, como a saída de Roberto Carlos e a aposentadoria de Ronaldo, e os títulos estão aí: quinto brasileiro e a antiga fixação de conquistar o continente.
O Corinthians foi Corinthians e isso ficou claro desde o primeiro jogo, ao arrancar o empate contra o Táchira na Venezuela no último minuto. Com pegada implacável no campo do adversário, obsessão pela ocupação de espaços, com eficiência à frente do gol adversário (já que as chances criadas não eram muitas) e sobretudo na calma e na frieza em situações desconfortáveis, como 0 a 0 em 177 dos 180 minutos contra o Vasco e quando esteve perdendo para os poderosos Santos e Boca.
Se o sofrido torcedor da Fiel fechar os olhos vai lembrar de tudo isso e vai observar várias provas de amor à causa corintiana nessa jornada. De Cássio saindo do banco para virar uma muralha como se estivesse predestinado a isso desde sempre; de Leandro Castán que foi perfeito no mata-mata como há muito não se via um zagueiro ser; de Ralf e toda a segurança e noção de espaço mostrados à frente da área; de Paulinho incansável em todos os setores do campo, o motor do time, decisivo contra o Vasco e melhor jogador da Libertadores para mim; de Emerson Sheik, um dos jogadores mais decisivos de que me lembro. Sem falar em outros heróis como Alessandro, Chicão, Fábio Santos, Alex, Danilo, a estrela de Romarinho…