quinta-feira, 5 de julho de 2012

Incontestável Corinthians!


llDesde sempre e especialmente após as conquistas dos rivais São Paulo e Palmeiras vistas na TV na década de 90, falar em título da Libertadores para o Corinthians parecia um milagre. Mas sempre faltou perfeição nos mínimos detalhes. O clube tentava mudar o canal e virar a página, mas a gozação perseguia o Timão e seu torcedor em todos os lugares.
Isso durou até esta quarta-feira, 4 de julho, dia que marca a independência da maior nação da América, os Estados Unidos, mas que a partir de agora vai ser para sempre lembrada como a data da independência da nação corintiana na América. 
E isso só foi possível porque um homem estava lá para se preocupar com a perfeição nos mínimos detalhes: Tite. O sentido de perfeição não é de um futebol vistoso, irretocável, mas sim de um time que acreditou no seu treinador para fazer tudo rigorosamente do jeito que precisava ser feito. E assim derrubou adversários do porte de Vasco, Santos e Boca Juniors, em sequência, para ganhar um título invicto, com oito vitórias e seis empates e históricos quatro gols sofridos em 14 partidas.
Não é coincidência que o tão desejado título da Libertadores tenha sido conquistado quando deixou de ser uma fixação para o clube. Do presidente aos torcedores (em menor grau, é verdade), passando pelo técnico e jogadores, todos no clube mudaram a forma de encarar esse mito. Deixaram de ficar embevecidos com os olhos no retrato enquanto a vida passava.
Isso pôde ser percebido em 2010, quando após a melhor campanha na primeira fase o time foi eliminado pelo Flamengo nas oitavas. O plano não mudou, o técnico não caiu, a torcida não revirou o clube. No ano passado, a prova de fogo de que assombração ficou no passado: o Corinthians foi eliminado na Pré-Libertadores pelo Tolima. 
A decisão normal era demitir Tite, mandar embora todos os jogadores e mudar tudo. Andrés Sanchez, ridicularizado há alguns anos quando disse que o Corinthians ganharia a Libertadores quando começasse a disputar a competição seguidamente, exorcizou os fantasmas em seu quarto (ou no clube) ao bancar o trabalho do departamento de futebol. A vida seguiu, ajustes necessários foram feitos, como a saída de Roberto Carlos e a aposentadoria de Ronaldo, e os títulos estão aí: quinto brasileiro e a antiga fixação de conquistar o continente.
O Corinthians foi Corinthians e isso ficou claro desde o primeiro jogo, ao arrancar o empate contra o Táchira na Venezuela no último minuto. Com pegada implacável no campo do adversário, obsessão pela ocupação de espaços, com eficiência à frente do gol adversário (já que as chances criadas não eram muitas) e sobretudo na calma e na frieza em situações desconfortáveis, como 0 a 0 em 177 dos 180 minutos contra o Vasco e quando esteve perdendo para os poderosos Santos e Boca.
Se o sofrido torcedor da Fiel fechar os olhos vai lembrar de tudo isso e vai observar várias provas de amor à causa corintiana nessa jornada. De Cássio saindo do banco para virar uma muralha como se estivesse predestinado a isso desde sempre; de Leandro Castán que foi perfeito no mata-mata como há muito não se via um zagueiro ser; de Ralf e toda a segurança e noção de espaço mostrados à frente da área; de Paulinho incansável em todos os setores do campo, o motor do time, decisivo contra o Vasco e melhor jogador da Libertadores para mim; de Emerson Sheik, um dos jogadores mais decisivos de que me lembro. Sem falar em outros heróis como Alessandro, Chicão, Fábio Santos, Alex, Danilo, a estrela de Romarinho…

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