llAos 38 anos, Marcos Roberto Silveira dos Reis, maior ídolo da história recente do Palmeiras e goleiro do quinto título mundial da Seleção Brasileira (em 2002, na Coréia e no Japão), anunciou sua aposentadoria na última quarta-feira.
Marcos pendurou as chuteiras, parece mentira, a ficha ainda não caiu, mas é verdade, sem dúvida, a notícia mais triste da semana. Santo para os palmeirenses, ídolo das demais torcidas este é São Marcos que vai deixar muita saudade. Dos 21 anos da carreira de Marcos, 19 foram com a camisa do Palmeiras. Foi no Palestra Itália, aliás, que o goleiro se consagrou no futebol. Só que ao mesmo tempo em que brilhou com sua alma alviverde, o jogador conquistou o Brasil com seu carisma. Muito pela conquista do pentacampeonato com a Seleção Brasileira.
Por ter vestido apenas uma camisa de relevância no futebol (seu outro clube foi o Lençoense), Marcos poderia ter sido um daqueles jogadores odiados pelos rivais. Mas não foi. Pelo contrário. Até mesmo os corintianos, santistas e são-paulinos, para ficar apenas no estado de São Paulo, admiravam o goleiro. Com jeito simples de falar e na maioria das vezes bem-humorado, Marcos não conquistou apenas os rivais diretos. A admiração também aumentou nacionalmente em 2002, quando o goleiro foi um dos líderes da conquista da Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul e no Japão. Enfim, São Marcos transcendeu a rivalidade.
Naquele Mundial, Marcos foi decisivo. Fez defesas importantes, em especial nos mata-matas. Na decisão contra a Alemanha, no dia 30 de junho daquele ano, o goleiro teve uma ótima atuação. E sua imagem, ajoelhado, com os dedos apontados para cima e a bandeira brasileira nas costas ficou eternizada.
Não foi apenas o título mundial que aproximou Marcos do povo. Seu jeito “caipira” (o goleiro nasceu em Oriente, no interior de São Paulo) e simpático ajudou muito. Na hora das entrevistas, o jogador sempre arrancou gargalhadas contando suas histórias. E até mesmo nas horas mais complicadas a torcida se identificou com ele.
Sangue quente, o goleiro nunca teve papas na língua. Jamais se omitiu e pegou pesado algumas vezes com os companheiros na hora de reclamar. Mas foram essas atitudes que construíram o que muitos dizem ser um dos jogadores mais “gente boa” do futebol brasileiro. Marcos fará muita falta.
E vai deixar saudade nos palmeirenses, nos corintianos, que teriam motivos para odiá-lo, nos são-paulinos, nos santistas, nos flamenguistas, nos vascaínos, nos gremistas, nos colorados... Enfim, São Marcos deixará saudade em todos aqueles gostam de futebol, em todos aqueles que vibraram com o penta da Família Scolari.
A assessoria do Palmeiras já confirmou que haverá um jogo de despedida, provavelmente no meio do ano. Mas ainda não há nada definido - nem adversário, nem data. Havia a possibilidade de a despedida ser no amistoso com o Ajax, marcado para o dia 14, no Pacaembu, mas o próprio Marcos pediu para não jogar.
Na última renovação de contrato do goleiro, feita ainda durante a gestão Luiz Gonzaga Belluzzo, ficou acertado que Marcos poderia escolher uma função a ser exercida no próprio clube assim que parasse de jogar - seja administrativa, como dirigente, ao lado de César Sampaio, seja na comissão técnica, ao lado de Felipão, em cargo ainda a ser definido. Segundo Sampaio, Marcos ganhará mais dois meses de férias para se decidir e, então, comunicar sua decisão, já em março.
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